Emoções: o que elas têm a nos dizer?

Aprender a ouvir as mensagens que nosso corpo dá nos ajuda a tomar decisões mais alinhadas com nossos valores e necessidades!

   Apesar de todo o orgulho que o ser humano carrega como um ser consciente, capaz de controlar seu próprio comportamento, em boa parte do tempo não temos muita escolha sobre o que acontece conosco. Isso é especialmente verdade quando falamos de emoções e sentimentos. Quantas vezes você já se sentiu feliz quando quis mostrar-se bravo, ou bravo com pessoas que você gosta? Ou então triste em situações nas quais “deveria” estar feliz? Ou morrendo de medo buscando coisas que deseja muito?

 

  Para quem tem muito forte a crença de que a razão domina a sua vida, perceber estas aparentes contradições pode ser desconcertante. Mas a contradição não é tão real quanto um eterno diálogo entre razão e emoção. Qualquer ação dita racional tem componentes emocionais envolvidos, por mais “fria” que pareça; e por outro lado, compreender as emoções ajuda a tomar atitudes apropriadas com o suporte da razão. Mas o que significa compreender uma emoção?

 

  A emoção nada mais é do que uma reação involuntária ao nosso contato com mundo. O pedaço do mundo que nos afeta pode ser tão discreto quanto nosso próprio pensamento, mas geralmente envolve um contexto amplo do lado de fora da nossa pele! Esse contato produz alterações no nosso corpo e cria tendências comportamentais. Nem sempre nossas reações são conscientes e nem sempre conseguimos explicá-las de imediato, porque isso envolve muitos outros comportamentos. Perceber as emoções, dar nome a elas e explicá-las são coisas diferentes que nem sempre temos condições de fazer na hora em que se manifestam.

 

Como as emoções funcionam?

  O impacto que o mundo nos provoca depende do tipo de estímulo que nos oferece. No nível de emoções básicas, é possível identificar com alguma precisão os tipos de estímulo e reações que fazem parte de cada uma. Por exemplo, no medo, o coração bate mais rápido; o sangue corre para as pernas e sentimos vontade de fugir ou lutar. Isso ocorre quando nos deparamos com estímulos perigosos, física ou psicologicamente. Quando não estamos frente a eles, mas os antecipamos, é um pouco diferente: sentimos o que se chama de ansiedade. Já quando algo ou alguém nos frustra ou nos provoca dor (física ou psicológica), em geral sentimos raiva. O sangue “ferve”, os lábios se comprimem e estamos prontos para agredir o que estiver em nosso caminho.

 

  Essas são apenas algumas das emoções básicas e suas características. É possível detalhá-las muito mais. Faça um exercício: como você percebe quando está com medo, com raiva, ou feliz? (É bem provável que pessoas diferentes deem respostas diferentes a essa pergunta).

 

Sentimentos confusos

   Você pode ter percebido que sutilezas de um contexto podem evocar sentimentos mais complexos. Por exemplo, se quem nos machuca é alguém por quem temos afeto, a palavra raiva pode não se encaixar perfeitamente. Nem mesmo a palavra tristeza. Talvez se prefira a palavra “chateado”, ou mesmo “magoado” nessa situação - possivelmente “em choque”, se a agressão for intensa.  

   Algumas emoções podem ser tão complexas (ou tão pouco conhecidas) que não sabemos nem nomear, nem entender - apenas sentir. Nem sempre é fácil compreender o que sentimos. Até porque as emoções dependem do significado particular que um evento tem para cada pessoa, que pode ser bastante específico. Essa tarefa pode pedir por boas habilidades de auto-observação e uma boa dose de autoconhecimento. A boa notícia é que as duas coisas podem ser aprendidas! E são aprendizagens valiosas, pois, em geral, quanto mais clareza temos sobre o que sentimos, mais claro se torna o que precisamos fazer para lidar com eles. 

O controle das emoções

   Quem busca a terapia geralmente o faz porque sente algo que gostaria de não mais sentir. É um desejo completamente válido. Mas desde o começo é preciso entender qual o controle possível sobre nossas emoções.

   

   Se elas são reações involuntárias ao nosso contato com o mundo, e se são fruto do que somos como pessoa, lutar diretamente contra elas é um esforço vão. Quanto mais força se faz contra uma emoção, mais ela tende a se fortalecer! O poder que nos cabe é o de compreender o que causa as emoções e agir em relação ao contexto que as faz presentes. Mudar a nossa vida muda o que sentimos, e não o contrário.  E, mesmo quando é impossível ter controle sobre um evento e as emoções que surgem com ele, ainda pode ser importante entender seu significado, para que possamos tomar as melhores decisões sobre o que faremos. 

 

   Quem faz terapia, em geral, aprende a lidar com as emoções. Mas isso não é uma questão de pensamento positivo, puro e simples. Não é questão de “simplesmente deixar para lá”. É uma aprendizagem contínua de compreender a própria realidade e fazer escolhas compatíveis com ela, em direção ao que lhe é importante. Não escolhemos sentir algo, mas sim o que fazemos quando sentimos. Uma emoção nos aponta direções (e, às vezes, até faz querer andar para trás), mas não determina o nosso caminhar.

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