Procrastinação: deixando a vida pra depois

Quando postergar nossas tarefas deixa de ser um ato inofensivo é importante reconhecer seus padrões de comportamento e rever as suas escolhas.

  Procrastinação é o comportamento universal de adiar uma tarefa, geralmente desagradável, para outro momento. Como a maioria dos comportamentos, não é, necessariamente, um problema em si. Faz parte da condição humana, buscar o prazer e evitar a dor. Muitas vezes procrastinamos uma tarefa, atividade ou escolha quando não são tão importantes e, no tempo certo, lidamos com elas sem grandes problemas. Tudo depende da frequência, da intensidade e do sofrimento envolvido com que o comportamento se apresenta.

  Mas se a procrastinação é crônica, geral ou pontualmente grave, de repente a gente percebe que deixou aquele trabalho muito importante para a última hora, e agora vai ter o triplo de estresse, ansiedade e desgaste para terminá-lo. Porque o trabalho, antes perfeitamente viável, agora vai ser muito mais difícil e defectível (propenso a dar errado). Não haverá tantas chances de errar e corrigir – tem que ficar pronto e satisfatório pra ontem!

 

  Geralmente, nessas circunstâncias, o trabalho não fica mais do que satisfatório. E a única coisa que produzimos no fim dos esforços é alívio; não tanto realização, alegria ou orgulho. Isso pode ocorrer tanto com questões de trabalho e estudo, quanto com questões da vida pessoal!

Quanto problema se tem pra evitar um problema?

 Quando um problema com procrastinação se instala, as complicações podem ser várias. Somos criaturas muito espertas e, quando fazemos algo que não apreciaríamos, somos capazes de inventar formas bastante criativas de nos convencermos que está tudo bem, quando não necessariamente está.

 

 Podemos fazer coisas que pareçam importantes, como realizar mil tarefas irrelevantes que vão dar uma breve sensação de dever cumprido – como arrumar a mesa, o quarto, uma pasta de arquivos. Ou a gente pode se convencer de que algo é muito urgente, como fazer a lista de compras antes que se esqueça, ou mandar um email pessoal antes que a ideia vá embora. Ou, pior, podemos nos convencer de que merecemos um momento de relaxamento ou diversão. “Estou fazendo algo que gosto, qual o problema nisso?”.

 

O problema fica mesmo pra depois?

 Tentar se convencer que está deixando algo pra mais tarde para poder cuidar de si é uma estratégia complicada, porque raramente é verdade. Exceto se a procrastinação é irrelevante num dado momento, não estamos de fato aproveitando outras experiências. Não como estaríamos se não houvesse aquela tarefa importante a ser feita. A felicidade só é plena quando livre. E quando fugimos de alguma coisa não somos realmente livres. Estamos ansiosos, fugindo e nos escondendo. Não estamos nos entregando a algo que gostamos. Nossos pensamentos não estão livres para se aprofundar naquela experiência porque qualquer espaço que damos ao nosso próprio pensamento é ocupado pela ideia de que precisávamos estar fazendo alguma outra coisa.

 Um quadro de procrastinação crônica pode ser bastante produzir emoções muito desagradáveis, como tristeza, culpa e despropósito. Quando gastamos boa parte dos nossos dias apenas desviando de tarefas e, mais tarde, suando mais do que precisávamos para dar conta do que protelamos, que prazer nos resta que não seja absolutamente efêmero? Como não estamos em real contato com coisas que nos motivam positivamente – que nos divertem, que nos alegram, que nos realizam –, não podemos sentir nada disso.

 

Percorrendo o caminho de volta

  Se as coisas chegam a esse ponto, pode ser um bom momento para reavaliar a sua vida como está e mudar de atitude. Há coisas que ninguém além de você pode resolver, não é mesmo?

 

  Para lidar com o padrão de procrastinar, é preciso aprender a se auto-observar e autoconhecer. É preciso entender que tipo de atividade se procrastina, quando o faz e por quê. Será que as atividades com que você se compromete têm sentido para você? Será que você cria expectativas incompatíveis pra o que você mesmo pode fazer no momento? É difícil pedir ajuda para dar conta dos seus desafios? Ou será que outras dificuldades têm roubado sua energia para resolver outros problemas?

 

  Compreender o que nos faz insistir em adiar tarefas, mesmo sabendo que vamos ter problemas com elas mais tarde, é fundamental para que possamos nos comportar de outra forma. Uma que seja mais saudável, produtiva e coerente com nossos valores. A psicoterapia  pode ajudar a identificar as causas da procrastinação particulares a cada indivíduo e desenvolver estratégias adequadas para lidar com elas.

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