TOC - um labirinto para o pensamento

Preocupações, dúvidas e verificações que parecem não ter fim fazem parte do Transtorno Obsessivo-Compulsivo. Como o TOC se manifesta e como é possível encontrar a saída?

Os pensamentos que nos ocorrem todo o dia são incontáveis. Há de todo o tipo: práticos, inúteis, agradáveis, desagradáveis. Eventualmente, também surgem alguns “intrusos”. Imaginamos acontecimentos horríveis, ou atitudes que achamos abomináveis, estranhando não saber de onde vêm tais ideias. O sofrimento pode acabar por aí, com a vida seguindo seu rumo e outros pensamentos tomando o lugar no fluxo. Mas quem conhece o TOC de perto sabe que há possibilidades bem menos amenas.

Em um quadro de Transtorno Obsessivo-Compulsivo, uma pessoa sente grande ansiedade diante de pensamentos intrusivos, como se algo muito ruim fosse acontecer. E tem sérias dificuldades para se livrar deles. Essa experiência leva o nome de obsessão.

Para diminuir o sofrimento trazido pela obsessão, a pessoa sente um forte impulso de realizar rituais pré-estabelecidos ou ações que se tornam repetitivas. Por ser tão difícil resistir a elas, essas ações são chamadas de compulsões.

Esse ciclo obsessivo-compulsivo, no qual ações tentam neutralizar pensamentos perturbadores – às vezes à exaustão – é o que gera tanto sofrimento e interfere em partes importantes na vida de quem vive com o TOC. Continue lendo para saber mais.

A Natureza das Obsessões

  O conteúdo dos pensamentos obsessivos varia muito de pessoa para pessoa. Por exemplo, pode haver o medo de contaminar-se no contato com objetos, ou de causar desastres por algum descuido, ou ainda de ter desejos que vão contra seus valores – entre muitos e muitos outros. Mas a característica comum a todos é serem intrusivos, incômodos e persistentes.

  Uma obsessão pode ser extremamente perturbadora por si só, o que motiva a pessoa a tentar eliminá-la ou preveni-la. Mas, em boa parte dos casos, o que tortura o sujeito é uma dúvida:

 

  “Será que minhas mãos estão realmente limpas? Sei que já lavei várias vezes, mas fiz do jeito certo?”

  “Eu já verifiquei o fogão quatro vezes... Mas será que eu vi direito se desligou?”

  “Se eu estou pensando tanto nisso, será que é minha vontade de verdade?”

  “Expliquei para ele algumas vezes, mas será que entendeu mesmo o que eu quis dizer?”

 

  Quando a pessoa tenta conduzir uma análise lógica sobre o quão improvável é o que teme, pode reconhecer que sua preocupação é desproporcional. Mas o medo e a dúvida persistem. Com isso, novas tentativas mais elaboradas de negar o perigo vão se desenrolando, lado a lado com tentativas de confirmá-lo.

  Esse caminho, como logo se percebe, é invariavelmente ingrato. As obsessões são perguntas sem resposta e por isso se renovam facilmente. Com o tempo, parte do sofrimento no Transtorno Obsessivo-Compulsivo é justamente esse: saber que não vale a pena o esforço, mas não conseguir resistir ao impulso de fazer alguma coisa.

O mais difícil, geralmente, é perceber que o que se faz é grande parte do problema.

Compulsões: andando em círculos

 

As compulsões, ou rituais, são qualquer coisa que uma pessoa faça na intenção de diminuir a ansiedade trazida pelas obsessões. Não se definem pela forma, mas pela função e consequências. Por exemplo:

 

  • Lavar as mãos (ou outras partes do corpo) repetidas vezes para se assegurar que estão limpas, desconfiando de possíveis “erros” no processo.

  • Verificar obstinadamente se fez algo que tem medo de não ter feito (mesmo tendo acabado de fazer): se desligou o fogão, se apagou a luz, se fechou a porta, etc..

  • Alinhar simetricamente objetos (ou mesmo ações) para ter certeza que algum desastre não vai acontecer.

 

  Novamente, estes são apenas alguns exemplos. Cada sujeito desenvolve suas próprias compulsões para lidar com suas próprias obsessões.

 

  Contrariando as aparências, estas ações não servem para diminuir o risco imaginado – o efeito prático costuma ser irrisório. Na verdade, são tentativas de eliminar ou evitar o pensamento: as dúvidas ou imagens que atormentam a pessoa. E são mantidas pelo alívio que trazem quando realizadas.

  Enquanto as compulsões vão trazendo pequenos alívios perante as obsessões, em longo prazo não têm nenhum efeito positivo sobre a ansiedade. Na verdade, podem vir a piorá-la, porque quando as obsessões retornam, o que "funcionava" não funciona mais. E muitas vezes sente-se a necessidade de realizar ações mais intensas ou extensas.

  Tarefas, antes simples – como tomar banho ou sair de casa –, podem se tornar bastante complicadas na medida em que o quadro se intensifica. Não por acaso, quem sofre de TOC muitas vezes também sofre de Depressão. O transtorno é capaz de limitar a vida de uma pessoa de forma severa, tornando-a refém dos próprios medos e dúvidas. Por isso, é importante que se aprendam maneiras mais saudáveis de lidar com os pensamentos tão indesejados.

 

Como se libertar do TOC?

  Existe um método eficaz de diminuir a força das obsessões, já demonstrado em muitas pesquisas. Mas não é nada convidativo à primeira vista para quem vive com o transtorno. Seria muito simples, se não fosse exatamente o que não se suporta fazer: aguentar a ansiedade que vem com os pensamentos obsessivos sem realizar nenhuma compulsão para se acalmar.

 

  Com tempo e consistência, habitua-se à ansiedade, que vai esvanecendo pouco a pouco. Além disso, cria-se a oportunidade de perceber que a sua ação não é crucial para prevenir o evento temido. Quando se está tentando preveni-lo constantemente, isso pode parecer uma vaga afirmação plausível, mas dificilmente traz conforto. É a experiência que faz a diferença (dentro de alguns parâmetros de segurança, é claro).

 

  Claramente é um caminho desafiador, e por isso é recomendável obter ajuda especializada: psicoterapia e, em muitos casos, tratamento medicamentoso conduzido por psiquiatras.

 

  Em psicoterapia, os procedimentos são conduzidos gradualmente, no ritmo apropriado para cada um. E, mais do que tratar os sintomas, busca-se entender e agir sobre outros conflitos pessoais, como inseguranças, problemas de ansiedade e dificuldades interpessoais. A melhora na qualidade de vida costuma ser acompanhada da melhora nos sintomas do próprio TOC.

 

Se você sente que não consegue ter paz com os próprios pensamentos, saiba que muitas pessoas se sentem de forma parecida. Se quiser tirar alguma dúvida, ou sentir necessidade de apoio para enfrentar a situação, fique à vontade para entrar em contato!

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